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O Céu da Noite da Libertação de Paris

Data:25 agosto 1944
Local:Paris, França
Coordenadas:48.8566, 2.3522
Categoria:Guerra

Em 25 de agosto de 1944, após 1.500 dias de ocupação alemã, Paris recuperava sua liberdade. A 2.ª Divisão Blindada do general Leclerc, que entrara na capital na véspera, completava a libertação da cidade enquanto o general de Gaulle descia os Campos Elísios diante de uma multidão em júbilo. «Paris ultrajada, Paris destruída, Paris martirizada, mas Paris libertada!» Este mapa estelar captura a abóbada estrelada tal como aparecia sobre a capital francesa naquela noite de alegria — as primeiras estrelas que os parisienses contemplavam como cidadãos livres em quatro anos.

Contexto histórico

Na manhã de 25 de agosto de 1944, Paris despertava numa mistura extraordinária de caos, esperança e fúria. Havia seis dias que a capital estava em insurreição. Em 19 de agosto, as Forças Francesas do Interior (FFI), lideradas pelo coronel Rol-Tanguy, tinham desencadeado o levantamento armado. Barricadas — mais de 600 — tinham surgido nas ruas de Paris, construídas com pedras de calçada arrancadas, carros tombados, árvores abatidas e móveis atirados pelas janelas. Paris reencontrava os gestos de sua tradição revolucionária, os de 1789, 1830, 1848 e 1871.

Na véspera à noite, em 24 de agosto, um acontecimento decisivo tinha alterado o curso da história. A coluna Dronne — nove semi-lagartas, três tanques Sherman e alguns veículos ligeiros da 2.ª Divisão Blindada do general Leclerc — conseguira penetrar em Paris pela Porte d'Italie. A semi-lagarta de cabeça, a «Guadalajara», era conduzida por republicanos espanhóis da Nueve, a 9.ª Companhia do Regimento de Marcha do Chade. Esses combatentes antifascistas, que tinham fugido da Espanha franquista, estavam entre os primeiros soldados aliados a entrar em Paris. Às 21h22, os sinos de Notre-Dame começaram a tocar, seguidos pouco depois por todas as igrejas da capital. O toque de liberdade ressoava nas ruas de Paris pela primeira vez desde 1940.

Na manhã de 25 de agosto, o grosso da 2.ª Divisão Blindada franqueou as portas de Paris. Os combates foram violentos em vários setores. A guarnição alemã, comandada pelo general Dietrich von Choltitz, resistia ainda em vários pontos fortificados: o hotel Meurice, o palácio do Luxemburgo, a praça da República. Von Choltitz recebera a ordem direta de Hitler para destruir Paris — «Paris não deve cair nas mãos do inimigo senão como um campo de ruínas» — mas hesitava. Cargas de dinamite estavam instaladas sob as pontes do Sena, sob a Torre Eiffel, sob o Louvre, sob Notre-Dame. Uma ordem, e a mais bela cidade do mundo seria reduzida a cinzas.

Por volta das 15 horas, von Choltitz foi capturado no hotel Meurice por soldados da 2.ª Divisão Blindada e das FFI. Assinou o ato de rendição da guarnição de Paris. Ao recusar executar a ordem de destruição, tinha — por cálculo, cansaço ou um resto de humanidade — salvo Paris da destruição. As pontes permaneceram intactas. Os monumentos sobreviveram. A cidade eterna estava libertada, inteira.

Às 19h15, o general de Gaulle chegou ao Hôtel de Ville, onde proferiu um dos discursos mais célebres da história da França: «Paris! Paris ultrajada! Paris destruída! Paris martirizada! Mas Paris libertada! Libertada por si mesma, libertada pelo seu povo com o apoio dos exércitos da França, com o apoio de toda a França.» Essas palavras, difundidas pelo rádio, fizeram chorar toda a França.

O céu que se estendia sobre Paris na noite de 25 de agosto de 1944 carregava as cicatrizes da guerra e a promessa da paz. Pela primeira vez desde o início da Ocupação, o toque de recolher já não era imposto — pelo menos em teoria, pois os disparos esporádicos de milicianos e soldados isolados tornavam as ruas ainda perigosas. Mas os parisienses, embriagados pela liberdade reencontrada, enfrentavam os últimos perigos para dançar nas ruas.

O céu estival parisiense oferecia um espetáculo de beleza comovente. O Triângulo de Verão — formado por Vega da Lira, Deneb do Cisne e Altair da Águia — reinava no zênite, dominando a cidade libertada. A Via Láctea atravessava o céu de nordeste a sudoeste, sua faixa leitosa invulgarmente visível numa capital privada de iluminação pública havia meses. O apagão imposto durante a Ocupação — as luzes deviam ser apagadas ou cobertas para proteção contra os bombardeios — tinha paradoxalmente devolvido ao céu noturno parisiense uma pureza que os habitantes não conheciam havia décadas.

Saturno brilhava no céu vespertino, sua luz dourada contrastando com o brilho azulado de Vega. Arcturo, a estrela mais brilhante do Boieiro, descia para o horizonte ocidental, seu tom alaranjado evocando o clarão dos incêndios que ainda ardiam em alguns bairros. Antares, o coração do Escorpião, pulsava ao sul, seu vermelho profundo como um eco celeste do sangue derramado nas ruas de Paris.

Nos dias que se seguiram, os parisienses descobriram a dimensão do que tinham vivido. Cerca de 1.500 resistentes e civis franceses tinham sido mortos durante a insurreição, e cerca de 3.200 feridos. Do lado alemão, as perdas chegaram a cerca de 3.200 mortos e 12.800 prisioneiros. A batalha de Paris fora breve mas sangrenta.

Mas na noite de 25 de agosto, tudo isso estava temporariamente esquecido na embriaguez da liberdade. Cantava-se A Marselhesa nas ruas, desconhecidos se abraçavam e beijavam, lágrimas de alegria corriam livremente. As bandeiras tricolores, escondidas durante quatro anos em armários e porões, floresciam em cada janela. As mulheres tiravam seus melhores vestidos apesar das restrições. As crianças, que não tinham conhecido senão a Ocupação, descobriam um mundo novo.

No dia seguinte, 26 de agosto, o general de Gaulle desceu os Campos Elísios a pé, desde o Arco do Triunfo até a catedral de Notre-Dame, através de uma multidão imensa — talvez dois milhões de pessoas. Ouviram-se tiros no adro de Notre-Dame, provavelmente disparados por milicianos que permaneciam nos telhados, provocando um momento de pânico. Mas a marcha simbólica do general, sob fogo, cristalizou sua autoridade e sua imagem de líder da França Livre.

Sob as mesmas estrelas que tinham iluminado a Revolução Francesa, a Comuna de Paris e as noites da Belle Époque, Paris renascia uma vez mais. O Escorpião, a Lira, o Cisne e a Águia — aquelas constelações de verão que velavam sobre a cidade havia milênios — contemplavam com a mesma indiferença majestosa o fim de um dos capítulos mais negros da história parisiense. As estrelas não distinguem entre ocupação e libertação. Mas para os parisienses que ergueram os olhos para o céu naquela noite, cada ponto luminoso no firmamento era um símbolo de esperança reencontrada — a luz que atravessa as trevas, a promessa de que até as noites mais longas acabam por ceder diante da aurora.

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