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O Céu da Noite da Tomada da Bastilha

Data:14 julho 1789
Local:Bastilha, Paris, França
Coordenadas:48.8534, 2.3692
Categoria:Política

Em 14 de julho de 1789, o povo de Paris se sublevou e tomou de assalto a fortaleza da Bastilha, símbolo odiado do poder real absoluto. Nessa noite, enquanto a cidade vibrava com uma energia insurrecional, o céu de verão parisiense desdobrava suas constelações acima de um mundo prestes a mudar. Este mapa estelar captura o firmamento que dominava Paris nesta noite fundadora — a noite em que nasceram os ideais de Liberdade, Igualdade, Fraternidade.

Contexto histórico

Na manhã de terça-feira, 14 de julho de 1789, Paris acordou numa atmosfera de tensão extrema. Havia dias que a capital estava em ebulição. A demissão do ministro das finanças Necker por Luís XVI, em 11 de julho, pusera fogo no barril de pólvora. Rumores de tropas reais concentradas ao redor de Paris alimentavam o medo de um banho de sangue. O povo, acossado pela fome — o preço do pão atingira o nível mais alto do século — e galvanizado pelas ideias do Iluminismo, estava pronto para a insurreição.

Desde a aurora, milhares de parisienses se dirigiram aos Inválidos, onde se apoderaram de 28.000 espingardas e vinte canhões. Mas faltavam a pólvora e as munições. Todos os olhares se voltaram para a Bastilha, aquela fortaleza medieval que dominava o bairro de Saint-Antoine com suas oito torres maciças. Prisão de Estado desde o reinado de Luís XIII, a Bastilha continha naquele dia apenas sete prisioneiros, mas representava tudo o que o povo abominava: o arbítrio real, as lettres de cachet, o encarceramento sem julgamento.

Por volta das 10 horas da manhã, uma delegação do distrito de Saint-Antoine se apresentou perante a fortaleza para exigir a retirada dos canhões apontados ao bairro. O governador da Bastilha, o marquês Bernard-René de Launay, recebeu-os com cortesia e os convidou para almoçar. Enquanto isso, a multidão crescia ao pé das muralhas. Por volta das 13h30, homens conseguiram baixar as correntes da primeira ponte levadiça. O pátio exterior foi invadido.

Foi então que a situação degenerou. Os soldados da guarnição abriram fogo sobre a multidão amontoada no pátio interior. Oitenta e três assaltantes foram mortos. A notícia do massacre se espalhou instantaneamente por Paris, desencadeando uma onda de fúria. Destacamentos da Guarda Francesa, que tinham aderido à causa popular, chegaram com canhões. Após quatro horas de combate, de Launay, compreendendo que a resistência era vã, capitulou por volta das 17 horas.

A Bastilha fora tomada. A multidão invadiu a fortaleza, libertou os sete prisioneiros e começou imediatamente a demolir o edifício pedra por pedra — uma demolição que duraria meses. O marquês de Launay foi morto pela multidão enfurecida, sua cabeça passeada na ponta de uma pica pelas ruas de Paris. A violência daquele dia anunciava as horas mais sombrias da Revolução por vir.

Nessa noite, enquanto Paris ainda ressoava com o eco dos tiros e dos gritos de vitória, o céu de verão desdobrava suas constelações estivais acima da capital em chamas. Era uma noite de julho quente e límpida. O Escorpião reinava ao sul, Antares brilhando com um fulgor vermelho-sangue — uma cor que, naquela noite particular, ressoava de forma sinistra com os acontecimentos do dia. A constelação de Sagitário subia a leste do Escorpião, o centro da Via Láctea formando um arco luminoso sobre o bairro da Bastilha.

A Lira dominava o céu quase no zênite, Vega — a futura estrela polar daqui a 12.000 anos — brilhando com um fulgor azul-branco intenso, a mais brilhante do céu de verão. O Triângulo de Verão estava completo: Vega na Lira, Deneb no Cisne e Altair na Águia, formando um imenso triângulo luminoso sobre Paris. Hércules estendia sua silhueta entre a Coroa Boreal e a Lira, esse herói mitológico cuja força evocava a do povo sublevado.

A Ursa Maior se inclinava para noroeste, suas estrelas apontando como sempre para a Polar — essa estrela que, para os navegadores, simboliza a constância e a direção. Mas naquela noite de revolução, era o mundo inteiro que perdia sua direção, suas certezas, sua ordem antiga. A Estrela Polar brilhava, impassível, acima de uma monarquia milenar em vias de desmoronar.

Em Versalhes, Luís XVI anotou laconicamente em seu diário: «14 de julho: nada.» Referia-se à sua caçada, infrutífera naquele dia. Só no dia seguinte, quando o duque de La Rochefoucauld-Liancourt o acordou para anunciar a queda da Bastilha, o rei compreendeu a gravidade dos acontecimentos. «É uma revolta?» perguntou. «Não, Majestade, é uma revolução», respondeu o duque.

As consequências daquele dia foram imensas e irreversíveis. Em poucas semanas, a Assembleia Nacional Constituinte aboliu os privilégios feudais durante a noite de 4 de agosto. Em 26 de agosto de 1789, adotou a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, cujo primeiro artigo proclamava: «Os homens nascem e permanecem livres e iguais em direitos.» Essas palavras, escritas à luz de velas sob um céu de verão semelhante ao de 14 de julho, inspirariam cada movimento de libertação subsequente, da Revolução Americana já consumada às descolonizações do século XX.

A tomada da Bastilha se tornou imediatamente um símbolo universal. Já em 1790, a Festa da Federação celebrou o primeiro aniversário do evento no Campo de Marte. Em 1880, o 14 de julho foi oficialmente escolhido como feriado nacional francês — não em comemoração da tomada da Bastilha em si, considerada sangrenta demais, mas em memória da Festa da Federação de 1790, julgada mais unificadora.

O céu que cobria Paris naquela noite de 14 de julho de 1789 é o céu do nascimento do mundo moderno. Sob essas mesmas estrelas — Vega, Antares, a Polar —, uma ideia nova tomou forma: que o poder pertence ao povo, que os direitos são universais, que a liberdade é inalienável. Essas estrelas, indiferentes às revoluções humanas, continuam a brilhar cada verão sobre Paris, sobre os desfiles militares e os fogos de artifício que, cada 14 de julho, comemoram a noite em que tudo mudou.

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