O céu de 28 de agosto de 1963 – "I Have a Dream"
A 28 de agosto de 1963, sob o sol escaldante de Washington, 250.000 pessoas convergiram para o Lincoln Memorial para a maior manifestação pelos direitos civis da história americana. Nesse dia, o reverendo Martin Luther King Jr. proferiu um discurso que transcenderia a sua época e se tornaria um dos textos mais célebres da humanidade: "I Have a Dream".
Contexto histórico
A Marcha sobre Washington pelo emprego e liberdade de 28 de agosto de 1963 é um desses momentos raros em que a história muda de rumo. Nesse dia, um século após a Proclamação de Emancipação de Abraham Lincoln, centenas de milhares de americanos — negros e brancos, jovens e idosos, crentes e leigos — reuniram-se pacificamente no coração da capital federal para exigir igualdade, justiça e dignidade.
A organização desta marcha foi um feito logístico e político notável. Os líderes do movimento dos direitos civis — A. Philip Randolph, Bayard Rustin, Roy Wilkins, Whitney Young, John Lewis e Martin Luther King — tinham trabalhado durante meses para coordenar esta concentração. Mais de 2.000 autocarros especiais, 21 comboios fretados e incontáveis automóveis convergiram para Washington. Aviões inteiros foram reservados. Os manifestantes vinham de todos os estados da União, alguns tendo percorrido milhares de quilómetros.
O dia começou sob um sol escaldante. O National Mall, aquela imensa esplanada verde que liga o Capitólio ao Lincoln Memorial, transformou-se num mar de rostos, cartazes e bandeiras. Os discursos sucederam-se ao longo de todo o dia. Joan Baez cantou «We Shall Overcome». Bob Dylan interpretou «Only a Pawn in Their Game». Mahalia Jackson, a grande cantora de gospel, eletrizava a multidão com a sua voz poderosa. Os organizadores tinham previsto um programa minucioso, mas o evento ganhava uma dimensão que ultrapassava qualquer planificação.
Depois veio o momento. Martin Luther King Jr. subiu à tribuna do Lincoln Memorial, frente àquela multidão oceânica. Atrás de si, a estátua de Abraham Lincoln, o presidente que aboliu a escravatura. Diante de si, 250.000 pessoas tensas de expectativa. O seu discurso preparado, intitulado «Normalcy, Never Again», era um texto sóbrio e político. Mas a meio da sua alocação, Mahalia Jackson gritou-lhe do palco: «Fala-lhes do sonho, Martin!» E King abandonou as suas notas.
O que se seguiu foi um dos maiores momentos de eloqüência da história. «I have a dream», começou, e a sua voz ganhou uma ressonância profética. «I have a dream that one day this nation will rise up and live out the true meaning of its creed: “We hold these truths to be self-evident, that all men are created equal.”» Cada frase era um trovão. Cada repetição de «I have a dream» elevava a multidão um pouco mais. «I have a dream that my four little children will one day live in a nation where they will not be judged by the color of their skin but by the content of their character.»
O discurso durou 17 minutos. Foi retransmitido em direto na televisão e na rádio em todo o país. Milhões de americanos ouviram essas palavras pela primeira vez e sentiram algo mudar dentro de si. O presidente Kennedy, que assistia a partir da Casa Branca, declarou: «É incrivelmente bom.» As imagens das câmaras mostrando aquela multidão imensa, pacífica e determinada correram o mundo.
Nessa noite, enquanto os manifestantes iniciavam o regresso a casa, o céu de verão de Washington acendeu-se de estrelas. O Escorpião estendia-se a sul, Antares brilhando num vermelho intenso sobre o Potomac. A Via Láctea cruzava o zénite, arco celeste sobre o National Mall — como uma ponte entre o passado e o futuro, entre a injustiça e a esperança. Vega, a brilhante estrela da Lira, dominava o céu estival, enquanto o Triângulo de Verão cintilava em toda a sua glória.
Este mapa estelar de 28 de agosto de 1963 é uma homenagem ao sonho de Martin Luther King e às 250.000 pessoas que ousaram acreditar nele nesse dia. Captura o firmamento que se estendia sobre o Lincoln Memorial quando as palavras «I have a dream» ressoaram pela primeira vez. Lembra-nos que os sonhos mais ousados nasceram sob as mesmas estrelas que iluminam o nosso céu hoje — e que enquanto essas estrelas brilharem, o sonho da igualdade continuará a iluminar as nossas consciências.
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